Apicultura no Brasil

O mel, que é usado pelo homem como alimento desde a pré-história, por vários séculos foi retirado dos enxames de forma extrativista e predatória, muitas vezes causando danos ao meio ambiente, matando as abelhas. Entretanto, com o tempo o homem foi aprendendo a proteger seus enxames, instalá-los em colméias racionais e manejá-los de forma que houvesse maior produção de mel sem causar prejuízo para as abelhas. Nascia, assim, a apicultura.

Essa atividade atravessou o tempo, ganhou o mundo e se tornou uma importante fonte de renda para varias famílias.

As abelhas da espécie Apis mellifera foram introduzidas no Brasil no final do século XVIII, procederam da Espanha e Portugal. Em 1838 pelo padre Manoel Severiano e  em 1839, o padre Antônio Carneiro Aureliano introduziu no Rio de Janeiro.

Por serem originárias de países que apresentam inverno rigoroso, estas abelhas tinham o hábito de estocar alimento em quantidade para hibernar (dormir) durante as estações mais frias do ano. Elas se adaptaram muito bem ao clima brasileiro, aumentando as suas populações de forma acelerada.

Provavelmente as subespécies Apis mellifera mellifera (abelha preta ou alemã) depois vulgarmente denominada “abelha europa” ou “abelha do reino” e Apis mellifera carnica tenham sido as primeiras abelhas a chegar a nosso país.  Até então, se conheciam as abelhas nativas sem ferrão, das espécies Meliponae, tais como: Mandaçáia, Tuiúva, Tiúba, Jataí, Mandurí, Guarupu, Uruçú, Jandaíra, dentre outras denominações.

Em 1845, imigrantes alemães Hannemann e Schenck, Hanewn e Brunnet introduziram no Sul do País (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná) a abelha Apis mellifera mellifera. Entre os anos de 1870 e 1880 as abelhas italianas, Apis mellifera ligustica, foram introduzidas no Sul do Brasil e na Bahia. Nessa primeira fase a apicultura não teve caráter profissional, nem finalidade econômica, assemelhando-se mais a um hobby. A produção apícola nacional era muito baixa (cerca de 04 a 06 mil toneladas/ano), a grande maioria dos equipamentos apícolas era importada e o associativismo era praticamente inexistente.

Até 1950, a apicultura brasileira sofreu grandes perdas em função do surgimento de doenças e pragas. Estima-se que 80% das colônias tenham sido dizimadas, gerando queda drástica na produção.

Com o objetivo de aumentar a resistência às doenças das abelhas no País, em 1956 o professor Warwick Estevam Kerr, com apoio do Ministério da Agricultura, dirigiu-se à África para selecionar colônias de abelhas africanas. Antes de importar as abelhas africanas o Prof. Kerr tinha um plano de fazer um melhoramento genético eliminando ou reduzindo, por seleção massal, as características negativas (agressividade e enxameação) das abelhas importadas e distribuir posteriormente aos apicultores rainhas já selecionadas e melhoradas.

Infelizmente houve o incidente no apiário experimental de Rio Claro, RJ que contribuiu para que 26 colônias de abelhas africanas enxameassem 45 dias após a introdução, isso antes da realização do programa de melhoramento pretendido. E com isso hoje temos em todo o território nacional uma abelha polihíbrida africanizada, resultante do acasalamento natural das abelhas africanas (Apis mellifera scutellata) com as demais abelhas melíferas também importadas anteriormente, as alemãs (Apis mellifera mellifera), as italianas (Apis mellifera ligustica ) e as carníolas (Apis mellifera carnica).

A agressividade na competição por alimento, grande capacidade de enxameação e a facilidade de adaptação a diversos climas e ambientes, possibilitaram a expansão da abelha africanizada por todo o Brasil e diversos países do continente americano. Pesquisas realizadas indicam que a velocidade de dispersão desse inseto é de 320 Km/ano.

O comportamento defensivo, entretanto, gerou dificuldades para o Brasil. Os problemas ocasionados pelos ataques das abelhas seguidos de mortes de pessoas e animais chegaram aos noticiários internacionais. As “abelhas assassinas” ou “abelhas brasileiras”, como ficaram conhecidas, geraram verdadeiro pavor por todo o mundo e passaram a ser tratadas como praga. Diversos países do continente Americano tentaram, inutilmente, criar barreiras que impedissem o avanço das abelhas africanizadas.

Apesar desses problemas iniciais, as abelhas africanizadas forçaram a modernização da apicultura no Brasil. O investimento em pesquisas, criação e adaptação de tecnologias e capacitação auxiliaram na melhoria e profissionalização da atividade. O Brasil é atualmente exportador de mel, cera e própolis e a maior resistência das abelhas africanizadas às pragas e doenças permite que a atividade seja conduzida sem aplicação de medicamentos, facilitando a produção de mel orgânico.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Filed under História

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s