O Surgimento da Apicultura Cambaraense

Na cidade de Cambará do Sul, (nome oriundo da árvore melífera cambará, que em tupi-guarani, significa “folha de casca rugosa”), antigo São José do Campo Bom, distrito de São Francisco de Paula, Mario de Oliveira Pinto, nascido a 10 de outubro de 1913 (e falecido em 31 de março de 1979), ultimo filho de José de Oliveira Pinto e Elvira Borges do Amaral, desde a infância, conforme relato, mostrou logo sua vocação pela apicultura. Concluiu o curso primário no IPA em Porto Alegre, de la voltou para residir em companhia do irmão Lauro Pinto, com o qual iniciou sua primeira criação de abelhas, sistema artificial SCHENK, na fazenda do lobo, antigo distrito de São Jose´do Campo Bom, hoje, Cambará do Sul. Órfão de pai organizou sempre umas colméias, aqui ou ali, na casa de sua irmandade. No ano de 1939 casou-se com Iralina Monteiro Guimarães, professora municipal, quando então fixou residência em Bom Retiro, sendo que lá permaneceram 18 anos. Desenvolveu e difundiu largamente a apicultura deixando vários discípulos, que hoje vivem exclusivamente desta profissão.

Em 1939 começa a atividade na apicultura com o objetivo de crescimento econômico, com aproximadamente nove caixas fabricadas por ele mesmo no primeiro ano. Alguns anos mais tarde chegou a ter 250 colméias. A fabricação veio da experiência adquirida dos livros e jornais que lia. Na localidade de Bom Retiro que da o inicio de uma atividade rentável (APICULTURA), que só foi possível devido ao suporte dado por sua esposa Dona Iralina Monteiro Guimarães Pinto, que, sendo professora, mantem o custeio da casa. No ano de 1944 colhe 9000 quilos de mel da melhor qualidade. Mas as dificuldades ainda estão por vir, Não tendo estradas e pontes o escoamento da safra teria que ser feito através de lombo de mulas (atividade efetuada por tropeiros com equipamentos próprios, isto é, bruacas especiais) em caixas e latas de querosene. Em algum momento ocorriam acidentes. Por exemplo: Houve caso que as abelhas picaram um animal até a morte e os apicultores não puderam fazer nada para salva-lo.

Na época de safra, o trabalho é redobrado, muitas vezes tendo que trabalhar aproximadamente 18hs por dia. Em 1958 prevendo o fracasso das matas com a entrada das primeiras serrarias, seu Mario mudou-se para Rincão dos Kroeff, onde continuou sua atividade, causando grande admiração aos colonos que lá residiam. É relato do apicultor Irineu Castilhos, que na década de 70 a mata se renovou, proporcionando maior produtividade de mel.

E foram os discípulos do seu Mario, que em 11 de julho de 1984 fundaram a ACAPI (Associação Cambaraense de Apicultores), tendo como 1º presidente o senhor Adail de Lima Valim. Seguindo: Luiz Eleo Sanos Lemos, Irineu Castilhos, Sergio Valim de Almeida, Jose Tadeu Tittoni Macedo, Jose Gentil Mustardeiro, Antonio Castelan Velho e Cláudio de Oliveira Reis.

Com a fundação da ACAPI, em seu segundo ano de vida, cria-se a feira do mel, que mais tarde passa a ser festa do mel, a ponto de Cambará do Sul ser conhecida por Capital do Mel. Cambará do Sul possui aproximadamente 100 apicultores e é reconhecida pela qualidade dos cerca de 200 mil quilos de mel que produz por ano.

Segundo relato de apicultores: “O mel de Cambará é diferenciado devido a sua coloração”, as características do produto são atribuídas à florada predominante e aos fatores climáticos.

Foto: Mário de Oliveira Pinto / Acervo Museu Irmã Tarcila  Cambará do Sul.

Texto: Raízes de Cambará do Sul – 2008

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